Pense e Viva

O varal da vizinha

É muito provável que você já conheça a história descrita a seguir, mas ela servirá de ilustração para o assunto que vamos tratar no texto de hoje:

Na primeira manhã de um casal em sua nova casa, durante o café, a mulher reparou através da janela uma vizinha que pendurava seus lençóis em um varal. Ela, então, comentou com o marido: Mas que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Essa é daquelas que não sabe lavar roupas.  O marido observou calado. Alguns dias depois, novamente durante o café da manhã, a vizinha, como de costume, pendurava seus lençóis no varal. A mulher então comenta com o marido: Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas. Passado um mês, a mulher surpreendeu-se ao ver os lençóis da vizinha sendo pendurados no varal; eles estavam brancos, pareciam novos. Empolgada, foi então, dizer ao marido: Veja querido! Olhe como os lençóis da vizinha estão brancos, finalmente parece que ela aprendeu a lavar as roupas! Quem será que a ensinou? O marido então calmamente respondeu: Não foi a vizinha que aprendeu a lavar as roupas, fui eu que decidi lavar os vidros da nossa janela”!

Como é fácil ver defeitos na vida dos outros! Como é fácil transferir para alguém a culpa por algo que está errado em nós mesmos.

A história do varal acontece todos os dias na vida real. Temos a tendência de procurar um culpado “fora” para os problemas que muitas vezes estão “dentro”. É mais fácil enxergar um defeito em alguém do que reconhecer a própria culpa. Mas isso não é algo novo. Herdamos esse hábito de Adão, que ao ser negligente em guardar a ordem que Deus o havia dado para que não comesse do fruto da árvore, logo transferiu a culpa para Eva: “E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi”. (
Gênesis 3:11-12)

Do jardim do Éden até os dias de hoje, a arte de arranjar um culpado têm sido aprimorada. O ser humano segue a sua saga em busca de alguém que leve a culpa pelo seu insucesso e que seja responsabilizado pelas suas frustrações.

Essa “síndrome de Adão” não passa de uma forma enganosa de anestesiar a própria consciência. Ao apontar um culpado, enganamos a nós mesmos; trocamos a culpa pela auto piedade e esperamos que as pessoas sintam pena de nós ao invés de nos confrontar.

Mas ao agir assim nunca resolvemos os nossos problemas. Podemos até convencer a nós mesmos que o problema sempre está nos outros, mas isso não irá mudar o nosso resultado, vamos continuar trilhando um caminho de fracasso e derrotas.

Um funcionário que não se empenha sempre irá encontrar um culpado para a sua falta de atitude: não se sente valorizado com o seu salário, o chefe é muito exigente, os colegas de trabalho não gostam dele, e quando ele for demitido, todos saberão qual será o seu discurso: A culpa não foi dele! Assim também acontece com o aluno preguiçoso; não gosta de estudar, não faz as tarefas, não presta atenção nas aulas, e também não entende por que suas notas são tão baixas. Geralmente, o culpado é o professor que não explica direito a matéria.

Esses são alguns exemplos do que acontece em muitas áreas de nossa vida. Lençóis mal lavados são vistos nos relacionamentos conjugais, nas igrejas, na vizinhança, na família e em qualquer outro lugar onde uma pessoa com a “vidraça suja” esteja presente.

Precisamos aprender a olhar para dentro de nós mesmos e analisar friamente, sem enganos, se o problema que estamos enxergando não está em nós. É bem provável que na maioria das vezes teremos que lavar as nossas próprias vidraças. Fazendo isso vamos começar a ter vitória em muitas áreas que hoje sofremos derrotas. Mesmo que existam erros e defeitos do outro lado, devemos consertar primeiro o que está errado em nós para então, se for conveniente, oferecer ajuda: “E por que atentas tu no cisco que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho”? (Lucas 6:41)

Uma trave é muito maior do que um cisco. Temos coisas muito maiores para enxergar em nós do que para reparar na vida dos outros. Temos que lidar com os nossos próprios pecados antes de apontar para o pecado alheio, precisamos julgar a nossa própria maneira de viver, antes de julgar alguém, pois geralmente quando trazemos à tona o problema de outra pessoa, estamos querendo tirar o foco de algum problema que nós mesmos enfrentamos.

Não somos donos da verdade, não vivemos a realidade dos outros, tampouco nossos métodos pessoais serão transformados numa doutrina a ser seguida por todos.

Precisamos seguir o exemplo de Cristo, que embora não tivesse pecado, e podendo apontar para os nossos erros, escolheu assumir a culpa por eles. Ao invés de nos acusar, decidiu ser o nosso advogado: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”. (1 João 2:1)

Todos nós temos defeitos. Em alguma área podemos ter mais facilidade para acertar, em outras não seremos tão eficientes, certamente não seremos perfeitos em tudo que fizermos; sempre vamos precisar da ajuda de alguém.

Por isso, se você lava roupa melhor do que a sua vizinha, aproveite para dar umas dicas pra ela, quando ela vier te ajudar a lavar os vidros da tua janela.

Pense nisso e ponha em prática.

Que o Senhor Jesus te abençoe.

 

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