Pense e Viva

Bem vindo ao Getsêmani!

O Monte das Oliveiras é um dos lugares mais visitados em Israel. Diariamente, um grande número de turistas e cristãos se dirige para lá, ansiosos por conhecer o lugar onde Jesus costumava subir para orar. Logo na chegada, no pé do monte, encontra-se um jardim chamado Gertsêmani, que em aramaico significa “prensa de azeite”. O lugar tinha esse nome porque era muito utilizado para efetuar a prensagem de azeitonas, a fim de extrair delas o azeite, produto muito importante para a economia local.

Mais do que isso, o Getsêmani é o lugar onde aconteceu um dos fatos mais marcantes da história da humanidade, é o lugar onde Jesus tomou a decisão mais difícil de sua vida nessa terra. Ali, naquele lugar que conhecia tão bem, Jesus foi literalmente “prensado”, a ponto de suar gotas de sangue: “Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar”.
E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo.
E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. (
Mateus 26:36-39)

 “E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão”. (Lucas 22:44)

Naquele lugar, Jesus teve que decidir entre ir à cruz ou desistir dela, entre fazer a vontade do Pai ou fazer a sua própria vontade.

Pode parecer uma heresia, mas Jesus deixa claro na sua oração que Ele não gostaria de passar pelo sofrimento da cruz: “se possível, passe de mim este cálice”. Deixa isso tão explícito, que por três vezes ora e repete as mesmas palavras: “E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras”. (Mateus 26:44)

Jesus está triste e angustiado, mostra toda a sua humanidade, mas acima de tudo, toda a sua obediência. Não é Dele a decisão final. Ele já havia submetido a sua vontade á vontade do Pai, já havia declarado que seu alimento era obedecer aos propósitos de Deus: “Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra”.
 (
João 4:34)

Ali, naquele jardim chamado “a prensa do azeite”, Jesus foi espremido, mas a pressão não o fez voltar atrás. A alegria em obedecer a vontade do Pai foi mais forte do que o medo de enfrentar uma cruz. Estava decidido. Ali Jesus confirmou a nossa vitória!

Talvez você nunca tenha ido à Jerusalém. Quem sabe conhecer o Monte das Oliveiras seja um dos seus sonhos. É possível até que você nunca tenha feito uma viagem para muito longe de sua cidade, mas uma coisa é certa: em algum momento da sua vida você já esteve no Getsêmani!

Não nos damos conta, mas passamos constantemente por lá. Todos nós enfrentamos a prensa das decisões. Quase diariamente nos deparamos com situações onde temos que escolher entre fazer a nossa vontade ou a vontade de Deus. Não são situações tão estressantes ao ponto de nos fazer suar sangue, mas fortes o suficientes para nos fazer rejeitar o cálice, é muito fácil declinarmos da cruz ao invés de crucificar nossa vontade nela.

Nos autodenominamos “cristãos”. Declaramos que somos seguidores de Cristo, mas nem sempre O seguimos até a cruz. Muitas vezes, nossa dieta é diferente da dieta Dele, alimentamos a nossa carne, quando deveríamos crucifica-la. Colocamos a nossa vontade acima da vontade Dele mesmo quando nossa escolha não implique em oferecer nossa própria vida; basta apresentar algum risco ao nosso orgulho ou ao nosso ego, basta oferecer alguma ameaça a alguém que amamos ou ao conforto que adquirimos, basta existir a possibilidade de perder alguma coisa para descobrirmos que é bem mais fácil falar como cristão do que agir como um deles.

Getsêmani é o lugar onde mostramos, através das nossas escolhas, quem realmente somos. É o lugar onde demonstramos até onde estamos dispostos a ir, em obediência a Deus, onde somos pressionados ao ponto de descobrir o que realmente há dentro de nós.

Getsêmani é o lugar onde temos que escolher entre falar a verdade ou mentir, ser honestos ou se corromper, perdoar ou odiar, abençoar ou amaldiçoar, fazer o bem ou fazer o mal. Ali temos que decidir o que morre e o que vive dentro de nós, ali decidimos o que fazer com nosso egocentrismo, com nosso orgulho, com nossa arrogância, com nossa soberba, com nossa ganância, com nossa ira e muitas outras mazelas que as vezes nos orgulhamos de carregar. Que destino daremos a tudo isso? Mortificaremos com Cristo em obediência a Deus ou nos alimentaremos de tudo isso para a nossa própria ruína?

Getsêmani é o lugar onde morre o eu ou onde morro eu!

Getsêmani é um lugar de pressão constante. Convenhamos, não é fácil fazer certas escolhas; não foi fácil para Jesus, não são fáceis para nós.

Certamente passaremos pelo Getsêmani muitas outras vezes, e é bem provável que em algumas delas venhamos a falhar, mas não podemos abandonar a busca por uma vida de obediência ao Pai.

O primeiro homem vivia em um jardim e um dia teve que fazer uma escolha; dele herdamos a inclinação para escolhas erradas, centradas no egoísmo, mas Deus providenciou um segundo Adão, e Ele nos mostrou que é possível fazer escolhas corretas, movidas por obediência.

Precisamos adotar o cardápio de Cristo, nossa comida deve ser fazer a vontade de Deus, colocar a vontade Dele acima da nossa. Ele nos ajudará a ter êxito, assim como fez com Jesus. Quando Cristo estava angustiado no jardim, orando ao Pai para que passasse Dele aquele cálice, um anjo desceu do céu e o fortaleceu (Lucas 22:43).

Da próxima vez que você estiver passando pelo Getsêmani, talvez não veja árvores de Oliveira ao seu redor, nem sinta o cheiro das azeitonas maduras trazido pelo vento, mas pode estar certo de uma coisa: Ainda que os seus olhos não vejam, Ele estará lá, para te fortalecer e te ajudar a decidir da maneira certa.

Pense nisso e ponha em prática.

Que o Senhor Jesus te abençoe.

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