Pense e Viva

Apanhai as raposinhas

“Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor”. (Cânticos 2:15)

 O rei Salomão, considerado o homem mais sábio entre todos os homens, também tinha gosto pelos poemas. A palavra de Deus relata no texto de 1 Reis 4:32 que “ele disse três mil provérbios e foram os seus cânticos mil e cinco”.

O livro de Cantares ou Cânticos é o conjunto de alguns desses poemas. Todo o livro gira em torno de um assunto: “o amor de Salomão por sua amada”. Proféticamente, o livro aponta para o relacionamento de Cristo com a sua noiva, a igreja.

Não quero usar este espaço para exercer uma análise hermenêutica sobre o texto, nem tampouco analisar a sua face profética, pois isso demandaria muitas linhas, mas extrair uma lição importante tirada de uma analogia feita por Salomão em determinado momento do seu poema.

O contexto de onde extraímos o versículo 15 fala da chegada de um tempo esperado, o tempo da chegada dos frutos. “O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem. Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi;
Aparecem às flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face graciosa.
Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor”. (
Cânticos 2:10-15)

É chagado o momento tão esperado, o inverno já passou, já cessou a chuva, começam a aparecer às primeiras flores, o canto dos pássaros já pode ser ouvido. Os tempos mais difíceis ficaram para trás, o pior já passou, o esforço de todo um trabalho está prestes a ser recompensado, as vinhas já estão em flor!

Todos sabemos que a presença das flores anunciam a chegada dos frutos. A presença de flores numa vinha envia uma mensagem: Em breve teremos uvas! Em breve teremos vinho! Em outras palavras, em breve chegará algo que nos fará muito feliz, pois o vinho, nas escrituras, simboliza a alegria.

Salomão sabe disso, mas sabe também que se não houver vigilância algo pode destruir todas as flores, e os frutos então nunca passarão de promessas.

Por isso ele dá uma ordem: Apanhai-nos as raposinhas!

Na época de Salomão as videiras eram protegidas por “cercas vivas” formadas por pequenas árvores plantadas bem próximas umas das outras, que ao crescerem se entrelaçavam formando uma barreira natural quase intransponível. Nenhum animal de médio ou grande porte conseguia passar por aquela proteção, ela era “quase” intransponível.

Quase, porque havia pequenos roedores que passavam facilmente pela barreira protetora. Entre eles um que causava um grande estrago, com um poder de destruição capaz de acabar com toda uma vinha.

As raposinhas, um pequeno animal, aparentemente inofensivo, belo e de pelagem macia, seria desejado por muitos como bichinho de estimação não fosse a sua natureza selvagem.

Salomão sabia disso, e no momento certo se preocupou com isso, e não somente demonstrou preocupação como agiu para proteger os frutos que tanto esperava, ele decreta aberta a “temporada de caça” ás raposinha.

Mas devemos lembrar que as palavras de Salomão fazem parte de um poema. A captura das raposas é uma analogia a situações do dia a dia e ao cuidado que devemos que ter com pequenas coisas que podem destruir os frutos que esperamos. Salomão refere-se ao seu relacionamento com sua amada, mas as raposinhas não destroem somente relacionamentos, elas estragam tudo o que está em flor, pronto para frutificar.

Os inimigos de Israel geralmente os atacavam quando a colheita estava próxima. Deixavam o povo trabalhar pesado preparando a terra, plantando e regando, se enchendo de alegria e esperança, ansiosos pelos frutos que colheriam, e então, quando o pior já havia passado e a colheita se aproximava, eles atacavam. Destruíam tudo, todo o exaustivo trabalho do povo de Israel era em vão, não havia colheita, não havia frutos, não havia alimento.

Satanás continua agindo dessa forma. Muitas vezes uma grande benção está bem perto, depois de muita luta muito choro e muito esforço, parece que finalmente a vitória vai chegar, as “uvas” serão colhidas e o vinho da alegria dará o ar da sua graça.

E então ele envia uma raposinha para tentar destruir a vinha.

Ela não se apresenta na forma de um bichinho peludo, está disfarçada em coisas pequenas e aparentemente inofensivas, mas que escondem em sua falsa fragilidade um poder de destruição mortal.

Essas raposinhas têm nomes: são conhecidas também como pornografia, vícios, sensualidade, lascívia, mentira, intolerância, violência, falta de perdão, sentimento de vingança, falta de diálogo entre outros. São sentimentos e atitudes que se apresentam como inofensivas e muitos as têm como um “pecado de estimação”.

Salomão foi um homem sábio e na sua sabedoria percebeu que as coisas pequenas podem causar os maiores danos. É fácil você perceber e se afastar de uma grande tentação, mas nenhuma tentação começa grande, o diabo entra sutilmente como uma raposinha e quando menos se espera, corroeu toda a vinha.

Coisas pequenas como experimentar uma bebida ou uma droga podem acabar com uma carreira promissora; um olhar com desejo, um elogio malicioso, uma mentira ou o desejo de vingança podem acabar com um relacionamento; a falta de perdão ou uma palavra sem amor podem matar a comunhão entre pais e filhos.

Fique atento às pequenas coisas. Satanás não precisa de uma porta aberta, uma pequena brecha será suficiente para ele enviar uma raposinha. Mas lembre-se também, que se ele está tentando destruir algo em sua vida é porque sabe que os frutos estão chegando.

Faça a sua parte, cuide de sua vinha. Está aberta a temporada de caça às raposinhas!

Pense nisso e ponha em prática.

Que o Senhor Jesus te abençoe.

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