Pense e Viva

Adeptos da Segunda Milha

“E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas”. (Mateus 5:41)

Jesus estava mais uma vez ensinando a multidão, o capítulo 5 do evangelho de Mateus relata o que conhecemos como “O sermão da montanha”. Entre as “bem aventuranças” e a definição do papel daqueles que o seguem como sal da terra e luz do mundo, Jesus ministra ensinamentos práticos para a vida de todo cristão. Em determinado momento, Jesus declara o que podemos encontrar no texto de Mateus 5:41 acima citado.

O que Jesus estava querendo ensinar quando diz que se alguém for obrigado a andar uma milha, deve andar duas com quem o obrigou? A falta de entendimento faz com que muitos desprezem o significado desse ensinamento, deixando de praticar algo de suma importância na vida de um cristão. Por outro lado, há muitos que praticam esse princípio sem saber que ele é uma recomendação de Jesus para a humanidade. Para entender o que Jesus queria ensinar é preciso conhecer o contexto em que o ensinamento foi proferido. O império Romano dominava toda a Judéia, hoje Israel e Palestina, nos tempos de Jesus. Entre muitas leis, havia uma que obrigava qualquer judeu, caso fosse ordenado por algum soldado romano, a carregar algum fardo pela distância de uma milha; isso era uma obrigação, e a desobediência a essa ordem implicaria em severos castigos.

Jesus está nos ensinando algo poderoso aqui: Faça tudo o que você for obrigado a fazer, e faça um pouco mais, agora não por obrigação, mas por amor e para dar um bom testemunho.

Fazer além da obrigação é o que o Senhor espera de todos nós. Fazer somente o que somos obrigados nos torna pessoas medíocres. Uma pessoa medíocre é aquela que está entre o ruim e o excelente, ela está no meio, uma das definições de medíocre é: “de qualidade média, comum”. Jesus nos chamou para fazer a diferença, para sermos “sal”, para dar tempero a um mundo sem gosto, mas quem faz o que todo mundo faz fica na média, se torna igual à maioria.

O mundo está cheio de gente “mais ou menos”, que faz as coisas “mais ou menos”, que leva uma vida “mais ou menos”, que tem um testemunho “mais ou menos”. Fomos chamados para andar a “segunda milha”, esse princípio que Jesus ensinou deveria ser um estilo de vida de todo ser humano, fazer além daquilo que se espera ou se impôs. Certamente você é uma pessoa que anda a segunda milha, mas deve conhecer muita gente medíocre, que nunca passa da primeira milha e ainda reclama por ter que cumpri-la. Certamente você já escutou alguém dizer que “trabalha de acordo com o seu salário” ou que só executa certas tarefas por que é obrigado a fazer, obrigado pelo chefe, obrigado por que tem uma família para sustentar, obrigado por que tem contas a pagar, sempre se movendo por obrigação, dificilmente você verá uma pessoa dessas crescer.

Adeptos da primeira milha também enchem as igrejas. Elas deveriam estar cheias de praticantes da segunda milha, mas a maioria dos que hoje se denominam cristãos se move muito mais por obrigações do que por amor. O cristão da primeira milha é aquele que “bate cartão” na igreja todo domingo, que dá dízimo e ofertas, que jejua quando o pastor convoca um jejum, mas que nunca tem uma iniciativa de fazer um pouco mais. Sua vida espiritual se resume a cumprir com as “obrigações” que lhe foram ensinadas e seu objetivo principal é escapar do inferno. Já o cristão da segunda milha não se preocupa com o inferno, ele carrega o céu dentro dele. Os cristãos da segunda milha não perdoam por obrigação, perdoam por amor á aquele que os perdoou primeiro, eles não fazem boas ações para serem salvos, fazem por que já são salvos. O cristão da segunda milha entende que, ainda que tenha sido comprado com o sangue de Cristo, é livre para servi-lo. Enquanto o cristão da primeira milha se relaciona com Deus somente como servo, o cristão da segunda milha o serve por ser amigo.

O cristão da segunda milha opta por ser um escravo da orelha furada: “Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá livre, de graça”. (Êxodo 21:2)

Mas se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair livre,
Então seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre.
(Êxodo 21:5-6)

O escravo livre tinha sua orelha furada para mostrar que agora não servia mais por obrigação, mas que continuava servindo ao seu senhor por amizade, gratidão e amor.

Creio que cumprir somente a primeira milha nos transforma em cristãos mornos, e você sabe o que Jesus fala sobre os mornos: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.
(
Apocalipse 3:15-16)

As nossas obras devem glorificar a Deus. Nosso viver deve mostrar que é possível fazer melhor, que é possível amar mais, perdoar mais, importar-se mais, dedicar-se mais.

É tempo de sair da mediocridade, é tempo de deixar de fazer as coisas corretas com a motivação errada. Se você quer chegar aonde nunca chegou, precisa fazer o que nunca fez, precisa se dedicar como nunca se dedicou, não para agradar uma pessoa, mas para agradar a Deus, não por um salário mais alto ou por um cargo de maior visibilidade, mas pela alegria de cumprir com um ensinamento de Jesus.

Todos os dias, temos a oportunidade de escolher entre não fazer o que de nós se espera, fazer somente o que somos obrigados a fazer, ou fazer um pouco mais. A escolha é nossa, mas o resultado será de todos. Já pensou se toda a humanidade resolvesse caminhar a segunda milha? Certamente o mundo seria melhor. Isso pode soar como uma utopia, não deveria, pois se fosse assim Jesus não teria ensinado. Não seria muito difícil, basta cada um fazer a sua parte.

Não espere pelos outros, comece por você. Quando eu mudo, meu entorno muda.

Pense nisso e ponha em prática.

Que o Senhor Jesus te abençoe.

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